" Vida e Morte - Presente eterno da ânsia, Ou condição diversa da substância, Que manifesta o espírito nos mundos. " Augusto dos anjos ( do poema : Vida e morte

 

 

Ampliando seus Horizontes Literários

Neste espaço, grandes poetas e escritores do Brasil e do mundo estão e estarão presentes. A amostra será composta de uma poesia ou texto de cada autor somada a uma breve biografia. Espero que apreciem e que conheçam diversos novos autores e trabalhos para compor seu acervo literário pessoal.

Vote na nossa nova Enquete !!

 

Para começar, vamos nos situar nos Estilos de Época da Literatura entre Portugal e Brasil, no quadro abaixo.

Portugal

Trovadorismo

1189/1198

Humanismo

1418

Classicismo

1527

Barroco

1580

Arcadismo

1756

Romantismo

1825

Realismo

Naturalismo

1865

Simbolismo

1890

Modernismo

1915

Brasil
 

Literatura de Informação

1500

Barroco

1601

Arcadismo

1768

Romantismo

1836

Realismo - Naturalismo - Parnasianismo

1881

Simbolismo

1893

Pré-Modernismo

1902

Modernismo

1922

 

Veja também :

 

Dentro da Noite

Augusto dos Anjos

É noite.À Terra volvo. E, lúcido, entro
Em relação com o mundo onde concentro
O espírito na queixa atordoadora
Da prisioneira, da perpétua grade,
__ A misérrima e pobre Humanidade,
Aterradoramente sofredora!

Ausculto a humana dor, que hórrida sinto,
Dalma quebrando o cárcere do instinto,
Buscando ávida a luz. Por mais que sonde,
Mais o enigma do mundo se lhe aviva,
Em diferenciação definitiva,
Mais a luz desejada se lhe esconde!

É o quadro mesológico, tremendo,
De tudo o que ficou no abismo horrendo
De tenebrosa noite de gemidos;
São uivos dos instintos jamais hartos,
As dores espasmódicas dos partos,
A desgraça dos úteros falidos.

É a ânsia afrodisíaca das bocas,
Que nas bestialidades se unem loucas,
As bactérias mais vis ambas trocando
as dolorosas mágoas dos enfermos,
Sentindo-se em seus leitos como em ermos,
Deplorando o destino miserando.

São os ais dos leprosos desprezados,
Tendo os seus organismos devastados
Pela fome insaciável dos micróbios,
Sentindo os próprios membros carcomidos,
Verminados, cruéis, apodrecidos,
Plantando a dor no chão dos seus cenóbios...

É o grito, o anseio, a lágrima do homem
Agrilhoado aos prantos que o consomem,
Preso às dores que se lhe agrilhoaram;
É a imprecação de todos os lamentos
Dentro do mundo de padecimentos,
Dos desejos que não se realizaram.

Pábulo sou dessa hórrida agonia
E nos abismos da hiperestesia
Experimento, além das catacumbas,
Essa angústia indominável, atrocíssima,
Junto da emanação requintadíssima
Do ácido sulfídrico das tumbas,

Trazendo dentro dalma, envoltos na ânsia,
Asco e dó, piedade e repugnância
Pelo espírito e o corpo nauseabundo;
E com os meus pensamentos desconexos,
Vejo a guerra pestífera dos sexos,
Abominando as coisas deste mundo.

Terra!... e chegam-me fortes cheiros acres,
Como o cheiro de sangue dos massacres,
Fétido, coagulado, decomposto,
Escorrendo num campo de batalhas
Onde as almas se vestem de mortalhas,
Desde o sol-posto, ao próximo sol-posto.

Apavora-me o horror dessa miséria
E fujo da imundície da matéria,
Onde traguei meus grandes amargores;
Fujo... E ainda transpondo o Azul sereno,
Sinto em minhalma o tóxico, o veneno
E a desdita dos seres sofredores.

O Morcego

Meia-noite. Ao meu quarto me recolho.
Meu Deus! E este morcego! e, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.

"Vou mandar levantar outra parede..."
__Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o tecto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!

Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A toca-lo. Minh´alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!

A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!

Biografia do Autor

Poeta pré-modernista. No Pré-Modernismo, predominaram as prosas. O único livro de Augusto dos Anjos, de nome " Eu ", mostra uma poesia pessimista e macabra. Seus temas preferidos são a doença, micróbios, sangue, putrefação de cadáveres e tudo sob o absoluto reinado do verme - símbolo de destruição implacável. É nítida em sua obra a influência do materialismo evolucionista de fins do século XIX, repleto de termos científicos e técnicos, responsáveis por sua literatura estranha, algo inédito em nossa literatura, até então que certamente chocou o público acostumado à elegância parnasiana.

Antônio de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Nascimento e Morte - Engenho Pau-d´Arco ( PB ) - 1884 / Leopoldina ( MG ) - 1914

Depois de ter-se formado em Direito no Recife, exerceu o magistério no Rio de Janeiro Morreu tuberculoso, em Minas Gerais, quatro anos depois de ter sido nomeado diretor de um grupo escolar.

Poesia - Eu ( 1912 )

DICA : Confira o livro "Parnaso de Além-túmulo, psicografado por Chico Xavier, pois você vai encontrar cerca de 30 poesias de Augusto dos Anjos, feitas após sua morte.

Pesquisa e apresentação de DeniseMG

DeniseMG

Vampirus Brasil | São Paulo, Brasil © 2001/2005 todos os direitos reservados |