" Cavaleiro das armas escuras, onde vais pelas trevas impuras... Com a espada sanguenta na mão? " Álvares de Azevedo

 

 

Ampliando seus Horizontes Literários

Neste espaço, grandes poetas e escritores do Brasil e do mundo estão e estarão presentes. A amostra será composta de uma poesia ou texto de cada autor somada a uma breve biografia. Espero que apreciem e que conheçam diversos novos autores e trabalhos para compor seu acervo literário pessoal.

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Para começar, vamos nos situar nos Estilos de Época da Literatura entre Portugal e Brasil, no quadro abaixo.

Portugal

Trovadorismo

1189/1198

Humanismo

1418

Classicismo

1527

Barroco

1580

Arcadismo

1756

Romantismo

1825

Realismo

Naturalismo

1865

Simbolismo

1890

Modernismo

1915

Brasil
 

Literatura de Informação

1500

Barroco

1601

Arcadismo

1768

Romantismo

1836

Realismo - Naturalismo - Parnasianismo

1881

Simbolismo

1893

Pré-Modernismo

1902

Modernismo

1922

 

Veja também :

 


"Cavaleiro das armas escuras,
Onde vais pelas trevas impuras
Com a espada sangrenta na mão?
Por que brilham teu olhos ardentes
E gemidos nos lábios frementes
Vertem fogo do teu coração?

Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no dorso...
E galopa do vale através...
Oh! da estrada acordando as poeiras
Nao escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?

Onde vais pelas tervas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?...
Tu escutas...Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E o clamor da vingança retumba?

Cavaleiro, quem és? - que mistério,
Quem te força da morte o império
Pela noite assombrada a vagar?

O Fantasma

Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio Que te há de matar!...

poesia enviada por Lauren de Bacco

 

Lembrança de Morrer

Álvares de Azevedo

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poente caminheiro
__ Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh´alma errante,
Onde fogo insensato a consumia;
Só uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade - é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos - bem poucos - e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoidecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios em encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida.
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
__ Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha,
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d´aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua prantear-me a lousa!

Biografia do Autor

A poesia acima faz parte do Ultra-romantismo, sua característica mais marcante é o mergulho no eu-lírico em si mesmo. Dessa imersão resultam a melancolia, a tristeza, o predomínio do sonho e da fantasia, a obsessão pela morte, o decadentismo e o satanismo.

Os poetas ultra-romanticos criam sobre o chamado mal do século e o conceito de amor apresentado, oscila entre a idealização ( mulher = anjo ) e a sensualidade ( mulher erótica ).

Manuel Antônio Álvares de Azevedo

Nascimento e Morte - São Paulo - 1831 - Rio de Janeiro - 1852

Conhecido como "O Poeta da Dúvida". Criou-se no rio de Janeiro, voltando a São Paulo para cursar a Faculdade de Direito. Teve uma vida boêmia e tumultuada. Ao morrer, com apenas 21 anos, deixou inédita toda a sua obra, que começou a ser publicada a partir do seguinte a sua morte.

Poesia - Lira dos Vinte Anos (1853)

Conde Lopo (1866)

Conto - A noite na Taverna (1855)

Teatro - Macário (1855)

Pesquisa e apresentação de DeniseMG

DeniseMG

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